“Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos”.
Pablo Neruda.
Primeiro a má notícia: a empresa não está preocupada com seu futuro e não tem um plano de carreira para você. No máximo, criará “planos de sucessão”, onde apontará possíveis candidatos para substituir profissionais que, eventualmente, deixem a Organização. Tudo muito lógico e prático.
Agora a boa notícia: Você foi jogado aos leões. Agora você é dono e responsável pela sua carreira. Você é responsável pela definição do seu objetivo profissional e o mais importante: por definir onde, quando e como chegar lá.
Nesta realidade “pós-reengenharia” a relação empresa-empregado se transformou numa relação comercial, que será mantida enquanto houver interesse de ambas as partes. Não há mais espaço para “fazer carreira” dentro das Organizações, como era costume até o início dos anos 90. Desconfie de quem prometer o contrário.
As Organizações não podem garantir uma coisa que elas não têm: estabilidade. A qualquer momento elas podem sofrem problemas financeiros, podem ser vendidas, podem comprar outras empresas, podem ser pressionadas a fazer reduções de pessoal, podem fechar as operações no país, podem mudar de gestores por pressão dos acionistas. E o motivo é simples: o mercado muda em grande velocidade e as empresas tentam acompanhar esta velocidade. E as pessoas? Ora, as pessoas são levadas pela correnteza e lutam bravamente para manter, pelo menos, o nariz fora d’água.
Pessimista? Não, realista. O grande problema não é o que está acontecendo com as empresas, pois elas sabem cuidar muito bem delas próprias. O problema é o está acontecendo com os profissionais que, míopes, ainda teimam em se comportar como profissionais da “pré-reengenharia”, aqueles com emprego garantido, estabilidade e plano de carreira.
Você lembra que estamos falando de uma relação comercial? Neste tipo de relação há sempre dois lados: a empresa é a cliente, você o fornecedor. Atenda seu cliente da melhor maneira possível, pois se ele não estiver satisfeito vai trocar o fornecedor, simples! Por outro lado, você, como fornecedor, tem a liberdade de trocar de cliente no momento que achar conveniente ou necessário, sem rancores, cobranças ou culpas. Nas relações comerciais honestas, não há lugar para isto.
Defina suas metas profissionais, identifique clientes para os quais suas competências podem ser úteis, trabalhe com eles (não “para” eles) e defina limites de tolerância para as cobranças, as pressões por resultados, as jornadas de trabalho, a exigência de estar disponível a qualquer hora e em qualquer local. Passou dos limites estabelecidos? Negocie e, se necessário, mude, mude, mude.
Defina seu plano de carreira através de ações concretas em curto, médio e longo prazos que o façam chegar cada vez mais perto do seu objetivo. E, o mais importante: execute o plano!
Não há nada mais triste que os estrategistas de botequim. Aqueles que depois de três chopes conseguem resolver todos seus problemas profissionais, mas que no dia seguinte, retornam bovinamente à sua rotina.