A palavra é metade de quem a pronuncia e
metade de quem a ouve.
Michel de Montaigne
Todo mundo é favorável à boa comunicação interna, assim como todo mundo é favorável ao fim da caça às baleias e à preservação do Mico Leão Dourado. O problema é que, da simpatia pela causa à ação efetiva, há uma distância enorme e são poucos os que se animam a enfrentar o desafio. É como aquela caminhada diária que os médicos recomendam e você jura que vai fazer, a partir da próxima semana. Sendo que a expressão “próxima semana” aqui assume uma conotação esotérica sem nenhuma relação com a contagem clássica de sete dias.
Se todo mundo concorda que é importante, por que nove entre dez empresas tem problemas de comunicação interna e vivem lutando contra suas conseqüências, no lugar de atacar as causas? Vão aqui algumas explicações:
Os gestores não sabem separar o que é informação importante do que não é e, no fundo, tem muito medo de divulgar informações relevantes, aquelas que podem fazer uma grande diferença na hora da equipe tomar uma decisão e definir uma prioridade. Vivem preocupados com a possibilidade da informação cair nas mãos erradas e com isso evitam que a informação caia nas mãos certas;
Os gestores não sabem como passar as informações para frente, portanto, usam a telepatia, a osmose, a linguagem corporal, os happy-hours, os churrascos de confraternização e as festas de final de ano para contornar o problema. Alguns gestores mais modernos mandam e-mails quilométricos, normalmente em inglês, que ninguém tem paciência para ler e são deletados junto com o resto do spam, afinal de contas pode ser spam corporativo, mas é spam;
Os gestores confiam a tarefa de manter a equipe informada aos seus subordinados diretos e esquecem o assunto. Esquecem também que, para o subordinado, a informação o aproxima do poder, por isso, ela não se deve compartilhar sob pena de alimentar o aparecimento de concorrentes na corrida sucessória ou a troféu de “queridinho do chefe”;
Há gestores que acreditam piamente no modelo “Fidel Castro” de comunicação, onde o processo de comunicação é de mão única, muito longo e focado no emissor. Contrariando a teoria, para eles o receptor não tem grande importância, é apenas um mal necessário. O emissor é a mensagem. Confesso que não entendi como ainda não solicitaram que os ouvintes se ajoelhem aos ouvir suas palavras. Há suspeitas de que em alguns lugares já esteja se cobrando um dízimo, como retribuição pela informação;
Há gestores que sofrem da síndrome de Gutenberg e adoram se comunicar através do jornal da empresa. Aquele editado uma vez por mês, que, normalmente, veicula informação desatualizada e de importância duvidosa, que é lido apenas pelos felizardos que tiveram sua fotografia publicada na edição e que fica displicentemente jogado na recepção do escritório ou é enviado aos clientes. Há de ser reconhecido que são feitos em papel de boa qualidade e que não solta tinta. São ótimos para forrar gavetas e outros usos práticos;
Finalmente, há gestores que acreditam que salvar as baleias e o mico, tudo bem, mas que funcionário deve apenas baixar a cabeça e trabalhar. Que esse negócio de pedir informação é coisa pouco profissional e lamenta que na CLT, sempre tão pródiga, não tenha uma cláusula sobre este item associada à demissão por justa causa.
Então, se tudo isto não funciona, o quê funciona? Há empresas com bons mecanismos de comunicação interna. Todas elas tinham uma coisa em comum, um processo altamente sofisticado: a conversação direta.